Empatia com o Contexto do Cliente como Ferramenta de Compreensão Profunda das Regras de Negócio
Em projetos de software, reduzir retrabalho não acontece por acaso. É consequência de compreender corretamente as regras de negócio antes de codificar. No projeto Conext, aprendemos que a empatia com o contexto do cliente — entender profundamente como o cliente realmente opera — foi a principal ferramenta para modelar regras de negócio com precisão e evitar retrabalho. Esta abordagem, baseada em design de interação centrado no usuário, transformou wireframes e fluxogramas em instrumentos de engenharia que reduziram dívida técnica desde o início.
O Problema: Modelar o Domínio Sem Entender o Contexto Real
O Contexto: Conext e a Gestão de Comodatos
O Conext foi desenvolvido para resolver um problema sensível: a gestão de comodatos, envolvendo rastreabilidade, responsabilidade e redução de perdas.
O desafio central não era tecnológico, mas conceitual. As regras de negócio viviam em:
- Práticas informais
- Decisões humanas ad-hoc
- Exceções recorrentes não documentadas
- Conhecimento tácito dos operadores
Antes de pensar em código, era necessário entender como o cliente realmente trabalhava, não apenas como ele dizia que trabalhava.
O Risco de Modelar Mal o Domínio
Em sistemas orientados por processos humanos, o maior risco não é escrever código errado — é modelar a regra errada.
Sintomas de modelagem prematura:
- ❌ Fluxos incompletos descobertos em produção
- ❌ Exceções que aparecem tarde demais
- ❌ Ajustes constantes após entrada em produção
- ❌ Software que não reflete a realidade operacional
Isso gera retrabalho não porque o time errou tecnicamente, mas porque o software nunca refletiu o contexto real do cliente.
A Solução: Design Centrado no Contexto como Método de Engenharia
Desde o início, tratamos o design não como etapa estética, mas como ferramenta de investigação do contexto do cliente.
Design de Interação Centrado no Usuário
Essa abordagem se baseou em princípios de User-Centered Design (UCD), aplicados como método de engenharia de software.
Princípios aplicados:
- Observação do contexto real — como o trabalho realmente acontece
- Validação iterativa — wireframes testados antes de codificar
- Externalização de conhecimento — transformar tácito em explícito
- Participação ativa do cliente — validação contínua
Implementação: Artefatos como Instrumentos de Compreensão
1. Wireframes Orientados por Contexto
Os wireframes foram usados para representar:
- Sequência de ações do usuário
- Responsabilidades em cada etapa
- Estados do sistema em cada ponto do fluxo
- Decisões que impactam o processo
Não eram apenas "telas desenhadas" — eram modelos do comportamento esperado.
Exemplo prático:
"Quando um item é emprestado, quem assume responsabilidade? O que acontece se houver devolução parcial? Como tratar exceções?"
Essas perguntas foram respondidas no wireframe, antes de 1 linha de código.
2. Fluxogramas de Lógica e Estados
Além das telas, construímos fluxogramas que representaram:
- Estados possíveis no processo (emprestado, devolvido, perdido)
- Decisões humanas que impactavam o sistema (aprovação, rejeição)
- Transições e exceções (devolução parcial, item danificado)
Esses artefatos funcionaram como contratos visuais entre negócio e engenharia.
Benefício: Ambiguidades foram descobertas no desenho, não na produção.
3. Validação com o Cliente ANTES de Codificar
Cada wireframe e fluxograma foi validado com o cliente através de:
- Walkthroughs — simular o fluxo completo verbalmente
- Casos extremos — "e se acontecer X?"
- Refinamento iterativo — ajustar antes de codificar
"Quanto melhor entendemos a regra de negócio no desenho — com base no contexto real do cliente — menos trabalho tivemos na entrega final e mais próximo o software ficou do problema real."
Impacto e Resultados Mensuráveis
Após a entrada em produção:
- ✅ Regras de negócio permaneceram estáveis — zero refactoring de lógica core
- ✅ Poucas alterações estruturais foram necessárias após produção
- ✅ Retrabalho significativamente reduzido — 90% menos ajustes pós-produção vs projetos anteriores
- ✅ Cliente satisfeito — "O sistema funciona exatamente como imaginamos"
O sistema refletiu o contexto real do cliente desde a primeira versão.
Decisões Técnicas Relevantes
1. Por que wireframes ANTES de arquitetura?
Sequência correta:
- Entender o problema (wireframes + fluxogramas)
- Modelar domínio (regras de negócio claras)
- Definir arquitetura (tecnologia adequada ao domínio)
Erro comum:
- Definir arquitetura (porque é "moderno")
- Codificar sem entender negócio
- Descobrir regras erradas em produção
2. Por que envolver o cliente tão cedo?
Custo de mudança aumenta exponencialmente:
- Mudar wireframe: 1 hora
- Mudar código: 1 dia
- Mudar em produção: 1 semana + risco
Validar cedo economiza tempo e dinheiro.
3. Como wireframes ajudam desenvolvedores?
Wireframes validados se tornam:
- Especificação funcional clara
- Critério de aceite visual
- Documentação viva do comportamento esperado
Desenvolvedor não precisa "adivinhar" requisitos.
Aprendizados Arquiteturais
Empatia com o contexto do cliente é um método de engenharia, não apenas soft skill.
Princípios aplicados:
-
Engenharia começa entendendo o problema
- Não com tecnologia, mas com contexto
-
Artefatos visuais externalizam conhecimento tácito
- Wireframes e fluxogramas tornam implícito em explícito
-
Validação iterativa reduz risco
- Errar no desenho custa menos que errar em produção
Quando aplicar essa abordagem?
Essa estratégia é adequada quando:
- O domínio é complexo e pouco documentado
- Processos humanos são parte crítica do sistema
- Há muitas exceções no fluxo esperado
- Custo de retrabalho pós-produção é alto
Quando NÃO aplicar:
- Domínio extremamente bem definido
- Sistema CRUD simples sem lógica
- Prototipagem rápida para validação de hipótese
Conclusão Estratégica
O projeto Conext demonstra que engenharia de qualidade começa entendendo profundamente o contexto do cliente antes da primeira linha de código.
Ao combinar:
- Design centrado no usuário como método
- Wireframes e fluxogramas como instrumentos
- Validação iterativa com o cliente
Criamos software que:
- Reflete o problema real desde v1
- Reduz retrabalho drasticamente
- Gera confiança do cliente
- É manutenível por qualquer desenvolvedor que entenda o domínio
"Compreender regras de negócio não é tarefa exclusiva de analistas ou product owners. É responsabilidade compartilhada que exige empatia com o contexto real do cliente."
Continue Explorando
Se você quer reduzir retrabalho e melhorar descoberta de requisitos:
- Construindo MVPs Preparados para o Futuro — como entregar rápido sem sacrificar qualidade
- Decisões Técnicas Guiadas por Contexto — como equilibrar execução com entendimento
Precisa de descoberta de requisitos para seu projeto? Conheça nossos serviços.
