Construindo MVPs Preparados para o Futuro sem Cair em Overengineering
Quando falamos em MVP (Minimum Viable Product), é comum surgir uma falsa dicotomia: ou o software é rápido e frágil, ou é bem estruturado e lento de construir. No projeto Conext — um microsserviço para gestão de comodatos — optamos por um caminho diferente: entregar um MVP ágil, mas tecnicamente preparado para evoluir, sem antecipar complexidades desnecessárias. Este case demonstra como construir MVPs que não precisam ser descartados após 6 meses.
O Problema: MVP Descartável vs. Base Sustentável
O Contexto: Conext e a Gestão de Comodatos
O Conext foi desenvolvido do zero a partir de uma demanda clara: melhorar a gestão de empréstimos de itens e reduzir problemas de rastreabilidade.
Além da urgência em colocar o sistema em produção, havia um requisito explícito do cliente: o software precisaria escalar no futuro, seja para múltiplas empresas, múltiplos clubes ou novos fluxos operacionais.
O Dilema Clássico
Muitas equipes enfrentam essa escolha:
- Opção A: Desenvolver rápido, criar dívida técnica, reescrever depois
- Opção B: Arquiteturar perfeitamente, atrasar entrega, gastar orçamento
Ambas falham porque ignoram o equilíbrio entre velocidade e sustentabilidade.
A Solução: MVP Moderno com Limites Bem Definidos
Decidimos construir um MVP tecnicamente moderno, mas com limites bem definidos. A arquitetura seria escalável, mas sem antecipar features inexistentes.
Práticas que Não Atrasam Entrega
Investimos em práticas que não atrasam a entrega, mas garantem sustentabilidade:
1. Separação Clara entre Front-end e Back-end
Benefício: Permite evolução independente de cada camada. Front-end pode ser reescrito sem tocar no backend.
Implementação: API REST documentada como contrato.
2. API REST Bem Definida e Documentada com Swagger
Benefício: Facilita integração e manutenção futura. Novos desenvolvedores entendem endpoints rapidamente.
Resultado: Zero dívida de documentação técnica.
3. Arquitetura Baseada em Containers
Benefício: Deploy consistente e escalável desde o início. Ambiente de dev idêntico à produção.
Tecnologia: Docker + Docker Compose.
4. Uso de Filas para Desacoplamento
Benefício: Preparado para processos assíncronos sem travar a aplicação.
Exemplo: Notificações e relatórios processados em background.
5. Estrutura Preparada para Multitenancy Futuro
Benefício: Modelo de dados pensado para expansão, sem implementá-la prematuramente.
Estratégia: Campos preparados na base, lógica ativada apenas quando necessário.
Implementação: Limites Conscientes
O Que NÃO Fizemos (Propositalmente)
Ao mesmo tempo, não antecipamos complexidades que não agregariam valor imediato:
- ❌ Sem microserviços na v1 — monolito modular é mais simples para 1 equipe
- ❌ Sem multitenancy completo — preparado na base, não implementado
- ❌ Sem observabilidade complexa — logs estruturados suficientes inicialmente
- ❌ Sem arquitetura event-driven — filas simples resolvem
Esses limites não foram descuido — foram escolhas deliberadas para manter o foco na entrega de valor.
Impacto e Resultados Mensuráveis
O Conext entrou em produção com:
- ✅ Prazo cumprido — 3 meses do kickoff à produção
- ✅ Poucas alterações após produção — regras de negócio bem representadas
- ✅ Base sólida para evolução — 4 features maiores adicionadas sem refactoring
- ✅ Documentação completa — Swagger + README + diagramas de arquitetura
- ✅ Onboarding rápido — novo desenvolvedor produtivo em 3 dias
"O sistema entrou em produção no prazo, atendeu às necessidades imediatas e, quando surgiram novas demandas, tinha estrutura técnica para absorvê-las sem rupturas."
Decisões Técnicas Relevantes
1. Por que API REST ao invés de GraphQL?
Simplicidade: REST é mais direto para equipes pequenas e clientes que precisam integrar futuramente.
Tooling: Swagger gera documentação e client automaticamente.
2. Por que Docker desde o início?
Paridade: Desenvolvedores locais rodam exatamente o mesmo ambiente de produção.
Deploy: CI/CD simplificado com containers.
3. Por que não implementar multitenancy completo desde o início?
YAGNI (You Ain't Gonna Need It): O primeiro cliente não precisava. Implementar aumentaria tempo e complexidade sem retorno imediato.
Preparação: Deixamos a base de dados preparada (colunas tenant_id nullables) para ativar no futuro.
Aprendizados Arquiteturais
MVP não precisa ser descartável para ser rápido.
Na Complex Crafty, entendemos MVP como o primeiro passo de um software real, não como código temporário destinado ao descarte.
Quando aplicar essa abordagem?
Essa estratégia de MVP preparado é adequado quando:
- Você tem clareza do domínio (não está validando hipótese de negócio)
- O cliente entende que escalabilidade virá, mas não precisa agora
- O orçamento permite investir em arquitetura básica sólida
- O time tem experiência em boas práticas (API, containers, testes)
Quando NÃO aplicar:
- Validação de hipótese com alta incerteza
- Prototipagem rápida para pitch
- Budget extremamente limitado
- Necessidade de pivot frequente
Conclusão Estratégica
Construir um MVP preparado para o futuro não significa entregar tudo de uma vez. Significa fazer escolhas técnicas conscientes que equilibram:
- Velocidade de entrega — não atrasar com overengineering
- Qualidade estrutural — não criar dívida técnica crítica
- Capacidade de evolução — não precisar reescrever em 6 meses
A diferença está em saber o que construir agora e o que deixar para depois — sem comprometer a evolução futura.
"Esse equilíbrio é o que permite que um MVP se torne, de fato, a primeira versão de um produto sustentável."
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Se você está construindo MVPs ou evoluindo produtos early-stage:
- De MVP Frágil a Base Escalável — como migrar um MVP técnico frágil para base sustentável
- Arquitetura Simples como Estratégia — quando escolher simplicidade ao invés de sofisticação
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