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Construindo MVPs Preparados para o Futuro sem Cair em Overengineering

6 min
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Quando falamos em MVP (Minimum Viable Product), é comum surgir uma falsa dicotomia: ou o software é rápido e frágil, ou é bem estruturado e lento de construir. No projeto Conext — um microsserviço para gestão de comodatos — optamos por um caminho diferente: entregar um MVP ágil, mas tecnicamente preparado para evoluir, sem antecipar complexidades desnecessárias. Este case demonstra como construir MVPs que não precisam ser descartados após 6 meses.


O Problema: MVP Descartável vs. Base Sustentável

O Contexto: Conext e a Gestão de Comodatos

O Conext foi desenvolvido do zero a partir de uma demanda clara: melhorar a gestão de empréstimos de itens e reduzir problemas de rastreabilidade.

Além da urgência em colocar o sistema em produção, havia um requisito explícito do cliente: o software precisaria escalar no futuro, seja para múltiplas empresas, múltiplos clubes ou novos fluxos operacionais.

O Dilema Clássico

Muitas equipes enfrentam essa escolha:

  • Opção A: Desenvolver rápido, criar dívida técnica, reescrever depois
  • Opção B: Arquiteturar perfeitamente, atrasar entrega, gastar orçamento

Ambas falham porque ignoram o equilíbrio entre velocidade e sustentabilidade.


A Solução: MVP Moderno com Limites Bem Definidos

Decidimos construir um MVP tecnicamente moderno, mas com limites bem definidos. A arquitetura seria escalável, mas sem antecipar features inexistentes.

Práticas que Não Atrasam Entrega

Investimos em práticas que não atrasam a entrega, mas garantem sustentabilidade:

1. Separação Clara entre Front-end e Back-end

Benefício: Permite evolução independente de cada camada. Front-end pode ser reescrito sem tocar no backend.

Implementação: API REST documentada como contrato.

2. API REST Bem Definida e Documentada com Swagger

Benefício: Facilita integração e manutenção futura. Novos desenvolvedores entendem endpoints rapidamente.

Resultado: Zero dívida de documentação técnica.

3. Arquitetura Baseada em Containers

Benefício: Deploy consistente e escalável desde o início. Ambiente de dev idêntico à produção.

Tecnologia: Docker + Docker Compose.

4. Uso de Filas para Desacoplamento

Benefício: Preparado para processos assíncronos sem travar a aplicação.

Exemplo: Notificações e relatórios processados em background.

5. Estrutura Preparada para Multitenancy Futuro

Benefício: Modelo de dados pensado para expansão, sem implementá-la prematuramente.

Estratégia: Campos preparados na base, lógica ativada apenas quando necessário.


Implementação: Limites Conscientes

O Que NÃO Fizemos (Propositalmente)

Ao mesmo tempo, não antecipamos complexidades que não agregariam valor imediato:

  • Sem microserviços na v1 — monolito modular é mais simples para 1 equipe
  • Sem multitenancy completo — preparado na base, não implementado
  • Sem observabilidade complexa — logs estruturados suficientes inicialmente
  • Sem arquitetura event-driven — filas simples resolvem

Esses limites não foram descuido — foram escolhas deliberadas para manter o foco na entrega de valor.


Impacto e Resultados Mensuráveis

O Conext entrou em produção com:

  • Prazo cumprido — 3 meses do kickoff à produção
  • Poucas alterações após produção — regras de negócio bem representadas
  • Base sólida para evolução — 4 features maiores adicionadas sem refactoring
  • Documentação completa — Swagger + README + diagramas de arquitetura
  • Onboarding rápido — novo desenvolvedor produtivo em 3 dias

"O sistema entrou em produção no prazo, atendeu às necessidades imediatas e, quando surgiram novas demandas, tinha estrutura técnica para absorvê-las sem rupturas."


Decisões Técnicas Relevantes

1. Por que API REST ao invés de GraphQL?

Simplicidade: REST é mais direto para equipes pequenas e clientes que precisam integrar futuramente.

Tooling: Swagger gera documentação e client automaticamente.

2. Por que Docker desde o início?

Paridade: Desenvolvedores locais rodam exatamente o mesmo ambiente de produção.

Deploy: CI/CD simplificado com containers.

3. Por que não implementar multitenancy completo desde o início?

YAGNI (You Ain't Gonna Need It): O primeiro cliente não precisava. Implementar aumentaria tempo e complexidade sem retorno imediato.

Preparação: Deixamos a base de dados preparada (colunas tenant_id nullables) para ativar no futuro.


Aprendizados Arquiteturais

MVP não precisa ser descartável para ser rápido.

Na Complex Crafty, entendemos MVP como o primeiro passo de um software real, não como código temporário destinado ao descarte.

Quando aplicar essa abordagem?

Essa estratégia de MVP preparado é adequado quando:

  • Você tem clareza do domínio (não está validando hipótese de negócio)
  • O cliente entende que escalabilidade virá, mas não precisa agora
  • O orçamento permite investir em arquitetura básica sólida
  • O time tem experiência em boas práticas (API, containers, testes)

Quando NÃO aplicar:

  • Validação de hipótese com alta incerteza
  • Prototipagem rápida para pitch
  • Budget extremamente limitado
  • Necessidade de pivot frequente

Conclusão Estratégica

Construir um MVP preparado para o futuro não significa entregar tudo de uma vez. Significa fazer escolhas técnicas conscientes que equilibram:

  1. Velocidade de entrega — não atrasar com overengineering
  2. Qualidade estrutural — não criar dívida técnica crítica
  3. Capacidade de evolução — não precisar reescrever em 6 meses

A diferença está em saber o que construir agora e o que deixar para depois — sem comprometer a evolução futura.

"Esse equilíbrio é o que permite que um MVP se torne, de fato, a primeira versão de um produto sustentável."


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